Leitura do Rosto
Saiba mais a respeito dos traços de seu rosto.

Leitura do Rosto






Seu rosto fala por você,
Saiba mais!

Fisiognomonia

Galeria de Fotos

Podcast

Área do Usuário

Eventos & Palestras

A Grafologia e o Amor

Vida Saudável

Vida Saudável

Nosso Livro

Pensamento do Dia ( TWITTER)

Honrar a vida
Artigos - Artigos
Em uma casa de idosos da capital paulista, uma senhora amiga perdia o ânimo ao falar da humanidade. Dava tom à sua voz uma angústia maior do que a lembrança da dura infância e a tristeza do vazio que o escapar dos anos deixa vagarosamente em seu coração. Sob a luz de sua particular religiosidade, as palavras daquela mulher não se destoavam nem um pouco daquelas que qualquer pessoa de qualquer religião diria ao conseguir verdadeiramente colocar suas mãos no coração. O que é tudo isso aí que está acontecendo conosco que de tudo não tem nada?
Tantos vemos escolher sem saber uma vida guiada pelo fluxo dos outros. Entregam toda a existência a padrões e rotinas já preestabelecidos, os quais eles nem mesmo ajudam a construir, apenas colaboram em sustentar. Alienam-se para atender aos chamados dos comerciais de TV ou das últimas tendências que surgem por todas as partes. Em detrimento ao cultivo de amizades, à dedicação à vida e à consciência da coletividade, almejam viver por um arco-íris de papéis, caminho construído sobre números, egoísta e solitário, de tanta instabilidade quanto a felicidade que promete trazer. A partir desta escolha, o que se vê é uma humanidade individualmente desnorteada, deprimida, amarga e, coletivamente, desumana.
Muitos são os termômetros que indicam nossa falta de humanidade. A infância cada vez mais curta e comprometida, o consumo descontrolado (e desnecessário) incumbido a saciar nossas carências e frustrações, as desigualdades sociais cada vez mais atenuantes, a ostentação maior do dinheiro, da ganância e do poder, atingindo inclusive áreas como o esporte e as artes no geral, e a barbárie da violência nos grandes centros urbanos apenas evidenciam nosso desapego à vida. Quantos vemos gastar o presente de viver tirando a vida dos outros? Quantos milhões assistimos por ano morrer de fome, apesar de tantos gozarem do luxo do desperdício e da alta da produtividade? Na medida em que os extremos se fazem tão presentes, torna-se urgente encontrarmos um sentido mais honesto de viver.
É necessário percebermos que a raça humana está toda imersa no mesmo destino e que, portanto, não podemos nos desvincular de nossa coletividade. Cada um deve estar consciente que possui o dever de respeitar e não negligenciar o que ocorre ao seu redor. Tudo é de todos ao mesmo tempo em que nada é de ninguém. Todos devem ter um propósito mais profundo de vida e viver para honrar este propósito. Tal propósito não pode trazer intrinsecamente a si tudo aquilo que fora citado e que apenas nos afasta da verdadeira e sincera felicidade. Recebemos a dádiva da vida e cabe a cada um dar tudo de si para fazer jus a este presente. Como já dizia a musicista argentina Eladia Blázquez (1931 – 2005), “porque não é o mesmo que viver honrar a vida”.

Texto inspirado nas visitas efetuadas á Casa de Repouso Ondina Lobo, São Paulo.

Paulo Mortari Araújo Correa é apresentador do Programa “Com Você”, ao lado de Arnaldo Correa Junior, que vai ao ar pela Radio Jornal Indaiatuba, aos sábados das 11 às 13h. Contato: www.avodalua.com.br.