Leitura do Rosto
Saiba mais a respeito dos traços de seu rosto.

Leitura do Rosto






Seu rosto fala por você,
Saiba mais!

Fisiognomonia

Galeria de Fotos

Podcast

Área do Usuário

Eventos & Palestras

A Grafologia e o Amor

Vida Saudável

Vida Saudável

Nosso Livro

Pensamento do Dia ( TWITTER)

Oração Dominical
Artigos - Artigos
“A doçura maior da vida flui na luz do Sol, quando se está em silêncio.
Até os urubus são belos, no lar do círculo dos dias sossegados.”
CECÍLIA MEIRELES

Não há receita, nem método.
Eu só preciso esforçar-me para não haver esforço.
Fecho os olhos, concentro-me e sinto meu coração transbordar de um sentimento vivo, puro e forte. Uma emoção intensa inunda tudo por dentro... como uma onda num mar de ressaca!
E lá estou eu!
Os pés descalços, a areia molhada, sob um céu carregado e envolvente.
Eu posso sentir tudo!
Como se estivesse numa praia catarinense num dia de inverno.
Eu tenho todos esses momentos dentro de mim!
Conduzo-me através de experiências que permanecem vivas.
Minha alma é um arquivo vivo!
Respiro fundo, presto atenção na música, transporto-me, mais uma vez... e outra, e mais outra.
Tudo muito vivo, real, eu sou a somatória de todos esses momentos e os tenho em movimento como o mar de Santa Catarina.
Vejo Montevideo de cima, como num sonho, estou sobrevoando os prédios antigos numa manhã de domingo.
O céu azul, o sol tímido, clareando as ruas. Paz!
O porto, a encosta iluminada! Claridade!
Tenho, comigo um pouco de cada lugar.
Imagens em movimento desfilam, vagarosamente, como num filme forte e poético.
Tenho orgulho do meu continente!
Sou latino-americano!
Trago meus ancestrais dentro de mim. Sinto tudo! Vivo sem o tempo, sem o espaço.
Tudo está aqui e agora!
O som do violino traz, na minha lembrança, as tardes de domingo. A minha cidade.
Nas imagens, um grupo de peruanos toca para mim. O som dos Andes nas ruas de São Paulo.
Deus abençoe nosso povo!
O produtor de vinho da Serra Gaúcha. Os olhos claros, iluminados, do tom verde das plantações. O sangue da terra. O sangue dos meus avós.
O pescador do litoral paulistano. Tantos anos convivi com eles! Surgem timidamente na minha mente. O caiçara que dividiu comigo sua casa, sua mesa, e seus pensamentos.
Mercedes Sosa canta com Milton Nascimento, neste momento.
As estradas de ferro de Tiradentes. O tacho de doce manuseado pela negra de Minas. Os dentes brancos, o olhar vivo de menina, o lenço na cabeça. O sorriso mais espontâneo e luminoso que eu já vi.
As montanhas escuras de Minas. A pinga cheirosa antes do jantar!
O sorriso meigo da minha tia!
O olhar molhado da minha avó!
O abraço carinhoso do tio Samuel...
América Latina.
Piazzolla enche o ar com seu bandoneon, num lamento profundo e vigoroso. Seus dedos ágeis e curtos manuseiam o instrumento. O barulho do fole, a música do meu continente. Fico emocionado, posso sentir a força dos seus braços fazendo o instrumento respirar.
Buenos Aires. Porto Madero. Ando, neste momento, de mãos dadas com minha mulher. Vejo meus filhos à frente, envolvidos com o passeio. Toda a minha família está ali. Posso sentir meu avô caminhando conosco.
Lembro de Neruda, do seu poema;
 “Meu avô, DOM JOSÉ ANGEL REYES, viveu cento e dois anos entre Parral e a morte.
Era um grande senhor rural.
Com pouca terra e filhos em demasia.
Aos cem anos de idade o estou vendo: nevado era este velho, azul era sua barba antiga
E ainda entrava nos trens para me ver crescer, em vagão de terceira, de Cauquenes ao Sul.
Chegava o eterno DOM JOSÉ ANGEL, o velho, para tomar um trago, o último, comigo:
Sua mão de cem anos levantava o vinho trêmulo como uma borboleta.”
Meu coração divide tanta beleza com todos, com tudo. Vejo-me diante de um prédio antigo, como os que se espalham por todo esse continente.
Um brinde a Lô Borges, que embalou meus filhos, ainda no ventre, com sua poesia.
Minas. As cachoeiras de água limpa, de repente me levam a uma tarde ensolarada, como tantas outras que me envolveram.
O Sol!
O mar de Fortaleza! O pôr do sol na Cidade. Mucuripe!
Minha mulher secando os cabelos ao sol.
Minha avó, separando o feijão.
A Foz do Iguaçu, meus filhos, felizes, rindo para tanta água. Meu coração transborda como a Foz do Iguaçu.
Uma gota escapa em meio a tanta água e escorre pelo canto dos olhos.
Lágrima de amor, de alegria, de vida!
Lágrima de gratidão. Por todos, por tudo!
Obrigado, obrigado, obrigado.